O lugar da Angústia, Aflição e Apatia no discipulado Cristão
É muito interessante como a ideia do "seja positivo", ou do que chamo de “good vibes”, tem tomado a mente e o coração das pessoas. Seja no trabalho, ou até mesmo na igreja, essa forma de expressão tem esmagado a genuidade dos nossos pensamentos e emoções.
O "positivo" aqui, não é aquele que entende a corrente filosófica e política do positivismo clássico, apesar de beber dela em outras fontes. Este ser, também, não é aquele otimista, que analisa seus contextos, seus pares e a sua atuação no mundo de modo abrangente.
Atualmente, ser positivo parece ser algo maravilhoso, psicologicamente falando; e que a nossa proposição é uma loucura frente a realidade. Porém, a cultura do selfie nunca permitiria eu e você tirar uma foto de nosso real quadro, aquele que apresenta as nossas dores, pois sua tese é clara: “Sorria, jovem, acene! Você é bom, outros são maus. Tudo vai bem. Relaxa! De boas, suave - tá tranks”
Logo, para que tantas máscaras? Demonstrar quem não somos, e se esconder?
Acredite, se nas estruturas seculares, para a nossa “sobrevivência” é necessário manter as aparências, saiba que no discipulado cristão há um lugar para a nossa “angústia, aflição e apatia”.
Entretanto, a pergunta fica: Como isso é possível?
Abraçando a nossa vulnerabilidade, entendendo que não somos e nem queremos ser heróis. Que muito erramos, que somos seres humanos.
Cristo, reconhece aqueles que sabem que não conseguem dar um só suspiro sem Ele. Aos que se angustiam em meio às aflições da vida, não a suplantando com frases baratas ou técnicas de manipulação, Ele é o caminho, consolo. A apatia numa sociedade doente é quase uma sentença, mas para o homem da cruz é um meio, para se achegar aqueles que não confiam, acreditam ou de alguma maneira procedem com baixas expectativas no aqui e agora.
Jesus não chama os positivos da pós-modernidade, mas os que decidem negar a si mesmo. Então, chega de purpurina farisaica, por hora é necessário uma dose de verdade em Cristo!
Seu chamado é marcante: Venham a mim (…) Quem? Qualquer um? - Não! Ele convida os que estão cansados e sobrecarregados. Essa linguagem nos remete ao primeiro êxodo bíblico. Um povo desgastado, escravizado. E a esses promete alívio, descanso.
A condicionante nunca foi ser a melhor versão de si mesmo, ideia barata do ego. Mas, sim, venha como estás. Não importa, mas venha! - por meio da cruz, seguindo Jesus.
Então pare de fingir, de performar. Para de "atuar"! Pare de ser forte, quando na fraqueza é que somos aperfeiçoados. A graça nos basta, Cristo é suficiente a vida aqui. Que Deus nos ajude a andar nEle. Amém.
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