A TODOS OS ASSEMBLEIANOS
Uma introdução e atualização aos que desconhecem a própria história, e vivem perdidos dentro de sua casa.
EU SOU DA “BLÉIA”?
Saúdo a igreja com a paz do Senhor.
O termo “bléia” se tornou comum no meio evangélico, para denominar ou caracterizar jovens cristãos que congregam nas Assembleias de Deus (ADs). Esta denominação, muitas vezes é rotulada de forma depreciativa, por quem não a conhece, não há vive e nem a ama.
Pela graça do Senhor, tirando os católicos, ela é a maior igreja do país. Não me refiro ao tamanho físico, nem ao quantitativo de catedrais construídas por mãos humanas, mas aos reais adeptos, membros locais, os congregados. Sejamos sinceros, gostando ou não, está igreja retrata a diversidade e a pluralidade social e econômica, de um povo que adora a Deus, em todo território brasileiro.
Uma igreja diferente, que não veio importada da Europa ou da América; porém, nasceu, formou raízes e floresceu nessas terras, tupiniquins. Seu sotaque, seus sons e suas cores são totalmente originais; partindo da centralidade da palavra, o anúncio do evangelho. Mas, como?
Pelo poder do Espírito Santo. A “força” dos assembleianos nunca foi/ será a “intelectualidade”. Entenda bem, claro que “ontem/ hoje” houve/ há muitos acadêmicos, mentes teológicas em corpos eclesiásticos; graças a Deus! Todavia, o movimento pentecostal, que difere do carismático, foi e continuará sendo a “energia potencial” desta igreja, que não “depende” das capacidades cognitivas dos seus envolvidos, mas, sim, de um Deus vivo - e ao menos de um coração em chamas.
QUE “ASSEMBLEIA”, DE “MADUREIRA”?
A história de Luther King Jr, Keith Green e CS Lewis me impressionam. As “churches” Bethel e Hillsong; as organizações Jocum, Portas Abertas e FHOP, também. Apesar da admiração, reconheço, elas não fazem parte da minha história, diretamente.
Compreender personalidades, enredos e contextos é fundamental, principalmente quando se trata das nossas origens. Por isso, como cristãos, precisamos ao menos conhecer a (i) história de Deus, da (ii) nossa família e da (iii) nossa igreja. Posteriormente, da escola, faculdade, trabalho, etc. Não se tornando um alienado, amém?
Então, partindo do princípio de que você já compreende a grande história de Deus (Teodrama) em seus grandes pontos, precisamos conhecer o alvorecer de nossa igreja centenária.
Resumidamente, ela iniciou na rua Azusa, antes com Charles Parham e depois com William Seymour, por meio da chama pentecostal, na evidência do falar em línguas (glossolalia). As principais marcas deste avivamento foram trazidas da América para o Brasil, pelos missionários suecos Daniel Berg e Gunnar Vingren.
Logo, em Belém/ PA, foi estabelecida a primeira igreja Assembleia de Deus no Brasil, após diferenciações claras da experiência pentecostal. Ao passar das décadas o seu crescimento foi exponencial, mesmo em tempos de guerra. Isso, devido a simples e densa apresentação do evangelho pelos seus membros e pastores, a todos os públicos, com o simples lema: “Jesus cura, liberta, (batiza/ salva), perdoa e leva para o céu”. Sem rodeios, a evangelização adjunto a intensas reuniões de oração tornaram-se a credencial primária do verdadeiro pentecostal.
Anos mais tarde, Paulo Leivas Macalão, grande compositor, dividiu opiniões a partir de Madureira/ RJ, onde liderou um conjunto de igrejas locais, desenvolvendo um excelente trabalho missionário. Décadas se passaram, e com a forte institucionalização da igreja em meio a algumas divergências doutrinárias, entre os líderes estrangeiros e brasileiros, tivemos o ambiente propício para a evidência dessas cisões. Nos anos 1980, a alta do Rock in Roll e da ditadura militar deu lugar ao que se tem até hoje na denominação. Como órgão elementar no governo das Assembleias de Deus, suas variadas “convenções” e recorrentes “estatutos”.
Sim, com o rompimento intensificado pelas diferenças entre “Missão” & “Madureira”, as entidades CGADB (Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil), CADB (Convenção da Assembléia de Deus no Brasil) e CONAMAD (Convenção Nacional das Assembleias de Deus Ministério Madureira) se tornaram colégios, de modelo episcopal e congregacional, que dirigem e decidem absolutamente “tudo que é possível” de ocorrer nas Assembleias de Deus. Mas, nem todas as ADs, atualmente, prestam contas a uma convenção. Há uma margem para inúmeras igrejas independentes, como a ADVEC (Assembleia de Deus - Vitória em Cristo) do Pr. Silas Malafaia, por exemplo.
As lideranças importam aqui, José Wellington Júnior (AD Belém) substitui o seu pai. Samuel Ferreira (AD Brás) segue os mesmos passos de Manoel Ferreira. São longas dinastias construídas nessas tradicionais convenções, algo que conforta aqueles que imaginam uma espécie de “linhagem sacerdotal” a essas famílias, e desconforta os que acreditam em sucessores e ordenações para além do sobrenome. Fato que levou a CADB nascer, e brigas de natureza política se erguerem neste longo histórico.
Contudo, em março de 2025, ocorreu um encontro fraternal surpreendente, entre os líderes desses ministérios, indicando uma reaproximação, que a décadas havia sido perdida. Será essa geração, os encarregados de trazer o ministério da reconciliação? Já imaginou as ADs unidas como nunca antes? Sem um projeto de poder, ou domínio humano; mas rendida ao Reino de Deus e a sua expansão?
Enfim, mas e agora? Como discernir os tempos?
Nos últimos seis meses o ministério de Madureira teve duas perdas irreparáveis. Na AD Brás, a bispa Keila Ferreira faleceu precocemente. Influente, liderava junto ao bispo Samuel Ferreira não só as mulheres, mas toda a igreja. Importante relatar, pois um dos fatores de divisão entre as convenções é a ordenação de pastoras. Discussão que perdura por décadas, aliás, que supera até mesmo as falácias dos usos e costumes.
Já nesta semana, o Senhor achou por bem guardar o saudoso Pr. Clementino Barbosa (96 anos) da AD Guarulhos. Nosso presidente de campo liderou por mais de trinta anos, deixando um legado imenso, sobre o que é ser um amigo de Deus.
Mas, enquanto vínhamos com lágrimas, em meio ao período de luto, o Senhor já tinha preparado o “Josué de Moisés”, o “Eliseu de Elias” e o “Salomão de Davi”. Me entendem? - Ele não desampara o seu povo, jamais.
É neste contexto que a Pra. Marinna Ferreira e seu esposo Pr. Igor Ferreira, apresentam-se. Nesses dias, o casal assumiu o campo da AD Guarulhos, e de certo modo, já são muito bem recebidos pelos fiéis, a chamada “nação Madureira” vê com bons olhos esta renovação. Porém, há uma expectativa sobre as prioridades do presente trabalho a ser realizado nesta cidade. Para os que não conhecem, Marinna é filha da falecida bispa Keila e do bispo Samuel Ferreira. Foi ordenada pastora ainda na despedida de sua mãe. Ela assumiu a CIBEM (Confederação de Irmãs Beneficentes Evangélicas Mundial) e já coordenou a frente jovem da AD Brás. Em geral, atua como evangelista. Logo, no seu turno, está o encargo de continuar ambos os ministérios citados; uma grande responsabilidade, da qual teremos a honra de participar.
UM CAMPO EM GUARULHOS? (REGIONAIS, LOCAIS E SUBS)
Nossa igreja é gigantesca. Recentemente, em Agosto de 2025, foi inaugurada a sede mundial em Inverness, Flórida, EUA. Este ministério está presente em diversos países. Sabendo-se disso, olharemos para o modelo que se segue, a forma organizacional no campo de Guarulhos. Diferente dos múltiplos setores da AD Belém, a AD Guarulhos possui uma estrutura hierárquica por representação regional. Aqui, é como se o mapa fosse dividido em seis regionais de modo não uniforme. Cada uma dessas regiões possui uma igreja sede, e em seu entorno, diversas igrejas locais. E mais, algumas dessas locais, ainda possuem “subs” congregações; (igrejas menores, que em geral, não são auto sustentáveis).
Entender a estrutura importa? Com certeza. Não somos uma ilha, não estamos em uma bolha. Para os assembleianos há um caminho a percorrer, você não é uma tribo. Mas, antes, há uma identidade a assumir.
CONSIDERAÇÕES
Respeito todos os nossos irmãos cristãos, dos católicos aos batistas e presbiterianos; como aprendo com vocês. Um dia estaremos juntos com nosso Pai celeste, com Cristo à mesa. Mas, somos assembleianos, “não roxos e nem doentes”, porém parte de uma igreja a qual Deus preparou para nós. Na certeza de que Ele ainda mantém esta “denominação”.
Particularmente, nasci, cresci e me desenvolvi aqui. Nesses anos aprendi que há apenas um único objetivo para a noiva diante do noivo: Servir, “encenando”, em todos os movimentos, o corpo de Cristo; a vivermos o “já” ao que “ainda não” foi terminado. O intervalo entre a Redenção e a Consumação.
Há uma urgência em “proclamar” e “interceder” nos dias de hoje. Nossos avós viveram isso, uma expectativa sobre o fim, “Maranata, ora vem!”. Mas, e nós? Atuais assembleianos, a que realmente viemos? Que Jesus nos encontre em nossa casa, e nos chame pelo nome. “Filhos, vocês são meus!”
Agradeço a oportunidade, em nome de Jesus.
At, Jeff.
Consegui facilmente imaginar um saudação de 5 minutos em um culto de domingo a noite... rs
ResponderExcluirGlória a Deus! Era a ideia. Essa imaginação é típica do pentecontal. O texto é visto como vivo!
ExcluirEsse texto não poderia ter finalizado de outra forma... Uauuuuuu - Que Jesus nos encontre em nossa casa, e nos chame pelo nome. “Filhos, vocês são meus!”
ResponderExcluirAmém. Somos dEle, e Ele é nosso.
ExcluirMeu grande amigo Jeff!!! Que texto rico, digno até de uma aula expositiva na EBD!!!
ExcluirAmém Zé, grato por estar abençoando nossos irmãos. E sobre a EBD, porque não? Kk - Aliás, lá é outro espaço característico do assembleiano!
ExcluirUm texto que define muita coisa séria se alcança-se mas irmão
ResponderExcluirOlá. Ele alcançará as pessoas certas, se Deus quiser. 🙏🏽
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